domingo, 28 de novembro de 2010

Relato de visita - ESCUELA ABIERTA, Buenos Aires

*Tatiane Nascimento

Localizada em um sossegado bairro da Zona Norte da cidade de Buenos Aires, Argentina, está a Escola Puerta Abierta. Pequena e aconchegante, traduz com harmonia o que Loris Malaguzzi quis dizer ao se referir ao ambiente como âmbito: educativo, criativo, pulsante, reversível.


De fato, sob a forte e consciente inspiração vinda das escolas da cidade de Reggio Emília, Itália, a Escola Puerta Aberta revela um pensar-educação simples e verdadeiro. Dessa inspiração foi traçada sua filosofia educativa. O nome da escola traduz esta visão: “abrir a porta nos permite ter acesso ao outro.”

A escola apresenta como pilares de sustentação de seu fazer pedagógico: comunidade educativa, participação, interrelação, diálogo entre as crianças, professores, pais e comunidade.

São textos que encontramos nos murais coloridos:

“- Comunidade educativa: o jardim é um lugar no qual são geradas interações entre os três principais atores desta comunidade, crianças, professores e pais.

- Participação: é uma estratégia que caracteriza o fazer da escola. A participação dos pais representa uma experiência carregada de emoções e ações, que lhes permite compartilhar e ampliar seu marco social.

-Diálogo: a própria identidade se constrói no encontro com o outro, no intercâmbio e na reflexão consigo próprio. Por que Porta Aberta? Consideramos a criança como protagonista, como comunicadora; tomamos o espaço físico como educador, tomamos o professor girando e acompanhando o educando, incluímos os pais como sócios, onde a participação é considerada essencial.”

Ao andar pelos espaços, vimos que a escola tem ambientes harmônicos que se retro-alimentam. Suas composições nos remetem ao que Alfredo Hoyelos, em seu livro, A ESTÉTICA NO PENSAMENTO E OBRA PEDAGÓGICA DE LORIS MALAGUZZI,nos falou da dimensão estética como

“ parte integrante de uma estrutura de pensamento que sempre, e em qualquer caso, é capaz de integrar processos evolutivos, e que nas situações de aprendizagem pode sustentar e alimentar um conhecimento que não só se nutre de informação, senão que, evitando uma definição fácil das categorias, leve a uma relação de sensibilidade e de empatia com as coisas, solicitando a criação de conexões.”

Composta por dois segmentos, o NIDO (3 meses e 2 anos) e KINDERGARTEN, crianças maiores( de 3, 4 e 5 anos), organizados em dois prédios contíguos. NIDO é um lugar de encontro, projetado para os nenês de 3 meses. “Para que possam estar em um lugar especial, pensado para eles, para quando seus pais necessitam reincorporar-se ao trabalho, e onde suas aventuras na vida podem fluir entre agradáveis e confortáveis lugares: a casa e a criança.”

NIDO promove uma vida social desde o nascimento, um ambiente onde pais, avôs, tios, irmãos são acolhidos, refletindo um projeto educativo personalizado, caracterizado por uma metodologia própria e diferenciada.

A visão da escola sobre Documentação - (dar a voz às crianças pequenas)

A documentação é descrita na Puerta Abierta como possibilitadora da visibilidade das ações dos pequenos. Ela sustenta a memória das crianças, oferecendo-lhes a oportunidade de rever seu próprio processo, de encontrar a confirmação ou a negação e de poder se auto-corrigir. “A documentação permite às crianças comparar-se com os outros, convida a auto-evoluções e evoluções grupais, conflitos cognitivos e discussões.”

A documentação também viabiliza aos pais ver e acompanhar os processos de aprendizagens de suas crianças, e este estilo metodológico é adotado porque, segundo consta nos murais,

“a escola tem o direito e a obrigação de fazer visível a infância e a sociedade em geral, para provocar intercâmbio e discussão (...)A criança mostra muito rápido que tem uma voz, mas sobre todo um saber escutar e querer ser escutado. A escola, como contexto de escuta múltipla, utiliza a documentação para lograr este fim. Significa, para nós outros, fazer tornar possíveis e visíveis as relações que são estruturantes para o conhecimento.”

Citando Alfredo mais uma vez, vimos que “Através da documentação se desvela uma escola que quer argumentar seu trabalho além das palavras, uma escola que pensa, que reflexiona, que aprende no caminho, uma escola que sabe pôr-se em discussão pública, capaz de escutar e dialogar com democracia, construindo processos de confiança recíproca e legitimidade pública.”

Isto é visto e vivenciado na forma como as documentações traduzem os feitos dos pequenos. Expostas nas paredes, comunicam muitos projetos, de interação com a natureza, de adaptação, da escuta sensível aos pequenos, entre outras coisas.
E assim conhecemos a Escola Puerta Aberta, um âmbito educativo para crianças e adultos, mais um reduto inspirado pelas escolas de Reggio Emília.



*Tatiane Nascimento é gestora do CMEI Cid Passos - Escola do Grupo de Cooperação - Salvador - Bahia.

sábado, 27 de novembro de 2010

O olhar de um grupo de mineiras...

*Equipe diretiva da Escola Navegantes

Chegamos a Salvador com muito desejo de compartilhar o que vivemos e de conhecer a sonoridade das vozes que por muito tempo estiveram em contato conosco via e-mail, olhar nos olhos dessas pessoas que estão distantes e ao mesmo tempo fazem-se tão próximas de nós, em conexão com os mesmos sonhos e ideais, partilhando anseios e inquietações.

A equipe da Navegantes estava ansiosa pelo momento de partilha, onde nos propomos a dialogar com os parceiros uma documentação realizada por um grupo de crianças da escola, aos poucos fomos desacelerando e nos sentindo pertencentes àquele contexto. Agradecemos a escuta, a acolhida, o respeito e as contribuições de todos os presentes no grupo de aprofundamento. Para nós foi muito intenso, exigiu uma entrega e sentimos essa entrega dos outros participantes também. Toda a vivência do dia 04 expressou e contribuiu para a relação de respeito e confiança presentes no grupo de cooperação.

Em nosso primeiro encontro com as escolas do grupo, contamos também com o olhar de Juan Carlos; a presença de um atelierista tão sensível e atento abriu-nos os horizontes, como bem disse Morgana a sensação era de que uma luz estava sendo acessa, iluminando novos caminhos e possibilidades.

Algumas indagações permanecem em nossas mentes causando produtivas dores de idéias; aprofundar mais, degustar os detalhes, observar e saborear com todos os sentidos a impressionante maneira das crianças serem e estarem no mundo. De que forma as crianças expressam seus pensamentos? Que papel cumpre o jogo no universo infantil? O que é imaginação? Perguntas que provocam desequilíbrio interno e ao mesmo tempo oferece subsídios para construirmos nossa própria plataforma de trabalho.

Depois de ouvir e nos apropriar da beleza e da complexidade de tantas experiências envolvendo escuta atenta, dedicação e respeito perante a Infância, nossas projeções não cabem dentro de nós, começamos então a conjeturar ações, movidas pelo clima de esperança e garra que nos apropriamos ao estar em contato com iniciativas em prol da Infância de repente nos vemos envolvidas e nos sentindo de fato co-responsáveis pela causa da Infância.


*Silene, Mônica e Morgana.

Escola Navegantes- Escola do Grupo de Cooperação -Uberlândia MG.

domingo, 21 de novembro de 2010

sábado, 20 de novembro de 2010

Novo Olhar sobre o 5º Seminário da RedSOLARE Brasil


*Carol Uzeda


Gente. Gente diferente, envolvente, interessante, apaixonante... Gente boa, gente fina, gente “da gente”. Ouvir e vivenciar o 5º Seminário da Redsolare Brasil tornou possível e rico o diálogo com outros educadores, ampliando o olhar e os horizontes sobre a Educação Infantil. Conhecer mais de perto as diferentes maneiras de “fazer”, pensar, agir, as diversas formas de sentir a prática, a vida, os desafios e a forma que propagam as nossas ações, nossas falas e atitudes.


O encontro tornou possível viver essa multiplicidade que estamos imersos e o quanto estamos próximas. Minas, Sul, México, Colômbia, Reggio e Brasil, contextos distintos e complexos que se encontram em um espaço privilegiado e democrático de diálogo, produtivo para pensar a cultura da infância. Refinar idéias, levantar questões, investigar, repensar... Uma experiência instigante e prazerosa.

Perceber o compromisso das meninas da Cid Passos – Salvador - BA e o relato envolvente da professora Lenise, consolidou a crença da Reggio como inspiração e não exatamente como um “modelo” a ser seguido. Identifiquei-me com as professoras do Centro Educacional Caminhos em Lajeado – RS quando, socializando a filmagem, nos confidenciava as inquietações, fruto de uma prática consciente, refletida, intencional e respeitosa. A professora Thaíza, da Escola Navegante em Uberlândia MG, revelou uma prática recente mais cheia de beleza e fascínio que nos convida a aprofundar as idéias e exercitar a pedagogia da escuta. Ao ouvir Alba, da Escola Colmeia - Salvador - BA, pensamos sobre como deve ser constante a busca pela compreensão do olhar da criança. Olhar este inteiro, complexo e intenso. E como esta criança explora o espaço, a cidade, o meio urbano que vivencia. Espaço que não é pensando para ela, mas é reinventado por ela. Rita de Cássia, da Escola Creche Pequeno Aprendiz, em Itabuna - BA, encantou e convocou o grupo a aguçar o olhar e perceber, de maneira sensível o que as crianças nos trazem do contexto, da sua cultura. Lindo e empolgante relato: O Pequeno Fazedor de Pipas. Fernanda, da Nossa Infância – Salvador - BA, me conforta quando traz os princípios da escola onde trabalhamos revelado nas ações das crianças, contando-nos uma vida de beleza e responsabilidade.


Juan Carlos, Atelierista – Bogotá/ Colômbia, impressiona com sua palestra! Encanta a sua maneira de falar, de pensar ambientes, das intenções, questionamentos... Instiga a aprender, buscar, procurar as fontes de pesquisa... Encoraja a busca, a produção e fortalece a prática com as crianças.
Valeu muito! Boas memórias ricas trocas!

Marília, mais um encontro vitorioso, produtivo e aconchegante! Bom sentir-se acolhida e instigada!

Na oportunidade, agradeço à Sandra Torzillo, minha diretora, que sempre antenada, nos apoiou nesta jornada.
Abraço grande!


*Carol Uzêda é pedagoga e educadora do 1º ciclo de Educação Infantil na Escola Nova Nossa Infância – Salvador – BA.