quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

"Considero Reggio minha segunda casa" - Relato de experiência


"Já perdi a conta de quantas viagens fiz a Reggio Emilia como tradutora-intérprete. Considero Reggio minha segunda casa. Lá se respira educação, cultura, respeito, beleza, solidariedade, acolhimento... Os habitantes dessa pequena cidade do norte da Itália são diferentes, possuem uma alegria tão natural, que não é abalada nem mesmo em períodos de grave crise econômica. Mas, muito pelo contrário, coletivamente, eles lutam, promovem ações e diálogos, para que a crise não interfira na educação infantil, pois sabem da importância fundamental que tem a valorização da cultura da infância, uma infância de crianças competentes e investigadoras do mundo. 

Em Reggio Emilia, visitei as escolas mais belas que já vi na vida. Pude presenciar o brilho nos olhares daquelas crianças, fascinadas pela descoberta do mundo, e das professoras, atelieristas, pedagogistas, cozinheiros, que fazem seu trabalho com extremo cuidado, respeito e amor à Pedagogia Reggiana. Vi também famílias – tanto italianas quanto de outras etnias - totalmente envolvidas na escola, participantes ativas dos eventos organizados pelo sistema escolar, que se abrem para a cidade, em grandes exposições e ateliês. 

Em fevereiro de 2015, tive o imenso prazer de ir para Reggio como tradutora do Grupo de Aprofundamento para Atelieristas e me encantei com o trabalho realizado. Era um grupo menos numeroso que o Grupo de Estudos da América Latina, realizado no mês de maio, e que, por isso, pôde vivenciar muito mais profundamente o que se chama de “cultura do ateliê”, termo criado por Loris Malaguzzi para designar o encontro mundo, com a cidade e seus habitantes, através de diferentes linguagens. Além das visitas às escolas, das apresentações feitas no Centro Internacional Loris Malaguzzi por profissionais sem igual, que praticam a Pedagogia da Escuta diariamente nas Escolas e Creches da Infância do Município de Reggio, as atividades de vivência prática, dirigidas por atelieristas das mais diversas áreas artísticas (música, dança, digital), com documentação e posterior produção de material, foram o grande diferencial do curso e puderam esclarecer muito do que realmente acontece nas escolas reggianas. 

No Grupo de Aprofundamento que acontecerá em 2016, o tema abordado será o da Documentação e Projetação, que são grandes alicerces da Proposta Pedagógica de Reggio. Documentar para projetar, projetar e documentar, documentar para estudar os processos de conhecimento das crianças, projetar para estimular a investigação, projetação como um projeto em ação, uma constante e cuidadosa busca sobre o que oferecer para enriquecer a exploração do mundo pelas crianças. Todos esses conceitos vividos na prática, na minha opinião, elucidarão várias dúvidas com que o educador se depara diariamente em suas práticas educativas e darão um maior direcionamento para a busca por uma educação infantil de qualidade, da qual a criança competente é a grande protagonista".

*Relato de experiência - Thaís Bonini 

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