quinta-feira, 17 de março de 2016

Um olhar em diálogo e em busca da difusão da Abordagem Educativa de Reggio Emilia - Itália.


“O educador diz: Veja! - e, ao falar, aponta. A criança olha na direção apontada e vê o que nunca viu. Seu mundo se expande. Ele fica mais rico interiormente e, ficando mais rico interiormente, ele pode sentir mais alegria e dar mais alegria – que é a razão pela qual vivemos. (...)

O ato de ver não é coisa natural. Precisa ser aprendido. Quando a gente abre os olhos, abrem-se as janelas do corpo, e o mundo aparece refletido dentro da gente. São as crianças que, sem falar, nos ensinam as razões para viver. Elas têm muito o que nos ensinar porque sabem o essencial da vida ”. (Rubem Alves) 


Um olhar em diálogo que abraça de forma acolhedora aos participantes de um encontro, é um olhar aberto ao novo e as novas formas de pensamentos e sentimentos provocados pela imprevisibilidade do “inédito do Ser Humano”: a criança. 

Aprender a olhar a criança com respeito aos seus tempos e a sua forma inédita de se posicionar diante da vida, abdicando dos determinismos e das marcas “adultocêntricas” , é um olhar que precisa ser aprendido num movimento de mergulhar para dentro de nós mesmos, de forma introspectiva e expansiva para poder escutar atentamente a criança e revelar com inteireza a sua essência, considerando-a como sujeito da sua própria experiência na sua capacidade criativa, expressas nas suas infinitas linguagens,inerentes à cultura da infância, como a Carla Rinaldi nos provoca: 

Aprender a “tornar visível uma experiência, é colocá-la aberta aos “possíveis” (...) e, portanto, narrável e consciente, onde os processos e linguagens são entrelaçados para que se sustente reciprocamente e sustentem a qualidade da própria aprendizagem”.

Assim, no Rio de Janeiro, inauguramos um olhar de um novo momento na educação para e com a infância, marcado pela pelas relações de parcerias, cooperação, corresponsabilidades e comprometimento por uma causa que nos une: a defesa da Cultura da Infância e a difusão da abordagem educativa de Reggio Emilia. 

Um olhar presente, pensante e que dimensiona o tamanho da nossa responsabilidade de levar a frente um coletivo, de forma engajada, acolhedora e com atitude de pesquisa com a intenção de que estas ações reverberem nos variados contextos de atuação dos envolvidos, representados por educadores de Niterói, Rio de Janeiro, Resende, Itabiraí, Macaé, São Gonçalo, São Paulo e Porto Alegree que se constituíram como pontos de diálogo e conexão para impulsionar a transformação a que nos propomos. 

Desta forma, os encontros do Polo RJ da RedSOLARE Brasil podem ser ricas oportunidades de crescimento mútuo porque são portas abertas ao diálogo e a reflexão sobre os seus modos de aprender e conhecer cotidiano, onde cada um de nós busca, autorregular a compreensão de forma solidária porque entende-se que a aprendizagem é relacional. Quanto mais diferentes pontos de vistas, mais divergência de pensamento, mais confronto, maior a provocação para sairmos da zona de conforto e irmos mais além, reafirmando as nossas escolhas.

O encontro em si foi um rico espaço de trocas, de olhares inquietantes,focado no desejo de trilhar por um caminho que dê mais visibilidade ao potencial da criança, valorizando a sua imagem, alicerçadas na expectativa de compreender mais sobre a abordagem educativa de Reggio Emilia, no seu rizoma ético, político e estético, que se traduz em ação, em uma utopia realizável. 

Com um olhar em diálogo com o meu interior e digerindo todo o sentido e o vivido neste I Encontro do Polo RJ, reafirmo que “um caminho se faz na caminhada” e vislumbro um futuro promissor, de muito crescimento para todos os envolvidos, desde que cada um dos participantes se coloque em diálogo consigo e com interior das práticas de cada espaço de atuação, provocados pela forma como Reggio convoca à participação: com diálogo, escuta e ação propositiva, responsável e engajada. 

Que sigamos com o entusiasmo de sempre, apoiando-nos uns nos outros. Com respeito, afeto e gratidão a todos que contribuíram para que o encontro acontecesse,

 Alba Bezerra




Inédito do Ser Humano: expressão cunhada por Alfredo Hoyuelos para a definir os ambientes da Escola Casa da Infância. 
Adultocêntricas: produções com controle do adulto, sem respeito ao potencial da criança, muito familiares nos contextos das escolas.

 

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