quinta-feira, 31 de março de 2011

O que trouxe de Reggio Emilia

*Renata Frizone
 
Dois meninos da classe de 3 anos da Escola Paulo Freire brincavam e começaram a se desentender, disputando um objeto. Um deles até começou a chorar, mas logo seu colega mostrou outro brinquedo e lhe entregou carinhosamente. O conflito acabou e as gargalhadas recomeçaram. Só então a professora perguntou algo, imagino que questionou se estava tudo bem. Não precisei falar meia palavra de italiano para entender: eu preciso me educar!

A pressão dos pais por evitar qualquer mordida, arranhão, beliscão, me levaria a interferir naquela situação muito antes que uma das crianças pudesse cuidar de seu amigo dando-lhe o brinquedo. Preciso dar espaço às minhas crianças, preciso garantir o direito básico de que elas sejam os atores principais de suas relações, de suas vidas!

Muitos questionamentos passaram pela minha cabeça naquela semana incrível em que conheci Reggio Emilia. O encantamento com a beleza da cidade, a educação das pessoas, a riqueza das pesquisas que tive a oportunidade de conhecer no Centro Internacional Loris Malaguzzi, os educadores dedicados, atelieristas com olhares fascinantes e pedagogistas com muito a dizer! Todos esses elementos foram combustíveis para mais pesquisa, mais interesse e admiração. Mas nada se compara com estar em uma escola de Reggio e assistir, sem ninguém perceber, que o resultado de tanto questionamento e respeito, estava ali, ao alcance de todos que observaram as crianças daquele lugar!

Preciso me educar!


Preciso deixar que minhas crianças mostrem aos amigos que não é preciso chorar, nem brigar!

Preciso escutar o que as crianças têm a dizer.

Preciso escutar o que elas não dizem.

Preciso educar com as mãos, boca, coração, olhos, pés...

Preciso recuperar minhas 99 linguagens roubadas quando ainda era criança e dividi-las o quanto possível!

Fui buscar em Reggio Emilia inspiração, mas trouxe mais que isso, trouxe um ponto de interrogação que me acompanha todos os dias desde então.

Renata Frizone é professora na Integration School - São Paulo.

Um comentário:

Adrianna Nunez disse...

Olá,
Sou educadora na cidade de Santos.
Voces teriam um e-mail para contato?
Bjs
Adrianna