quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Relato de uma experiência viva, de vida e para a vida.

*Relato de Letícia Chaves
Representante do Polo Bahia - RedSOLARE Brasil
Este é um relato de uma experiência viva, de vida e para a vida.




Há exatos 4 meses e 3 dias, dei o meu maior sim à vida. A vida que gerei por 30 anos na minha alma, e por exatas 40 semanas no meu corpo, que após algumas horas de expectativa, mistério, medo, superação, dor e amor, sobretudo amor, se materializou no primeiro som e no primeiro abraço. 

O que pode existir de mais inédito que o nascimento? Só a possibilidade de renascer a cada dia, a cada ato, a cada encontro... Escolhi renascer no nascimento do meu filho, escolhi renascer enquanto pessoa, mulher, filha, irmã, nora, cunhada, amiga, e agora Mãe. 

Tenho vivido a magia da descoberta do desabrochar diário da vida que pulsa, que cresce, que descobre, que ama,com quem me conecto na imensidão profunda desse olhar preto como duas jabuticabas, que sorri para a vida a cada amanhecer, desde a alvorada da sua chegada no dia 14 de junho. Cada escolha, muda o rumo do que iremos viver, sentir, construir... Desde a descoberta da sua existência, me conectei ao mistério, da vida que não controlamos, mas em que podemos escolher ser protagonistas ou coadjuvantes. 

Para o seu crescimento, precisamos fazer escolhas. para a sua chegada, quisemos estar inteiramente abertos à confiança em nós, em você, na natureza que somos, e para a natureza viemos. Para a natureza que há quase 7 anos tornou real o encontro de duas almas, e há quase 20 acolhe sua família, nossa família. 

Que privilégio! Que bênção! Muita gratidão! Sua chegada fortaleceu e fortalece nossa crença na vida, nas escolhas feitas pela confiança e entrega, não pelo medo. Não pelo conforto, não pelo previsível, mas pelo que é preciso viver, pelo que é possível viver, na simplicidade que nos conecta a quem somos, a por que vivemos, e para o caminho que escolhemos trilhar. 

Em meio à tanta guerra noticiada há tanto tempo, com tanta repetição que já faz parte do café da manhã, e não dá indigestão, parir você meu filho, foi possível pelas forças que tinha, que tenho, por saber e sentir que não estou só. Pois o protagonismo de escolher pela vida, pela própria vida, é uma conquista coletiva, dos que passaram e estão na minha vida, das relações e dos encontros que me constituem, das experiências que vivi com as pessoas deste lugar, e de tantos lugares por onde já passei. 

Do amor que cresci e que me permitiu caminhar por caminhos tão insólitos, como prisões, como a aridez de uma aldeia no meio da África, mas enxergando amor, vida, possibilidades. Meu desejo é que a educação que vivemos, que propomos, que construímos, seja uma educação viva, para a vida. Que respeite seus ciclos e seus mistérios, que seja uma educação do presente, não uma repetição do passado ou uma preparação do futuro. Para que o inédito possa estar presente a cada instante, para que a falta não cegue o que já se tem, para que a escuta seja o sinal de que não estamos sós, e que podemos ir muito além, para dentro e entre nós mesmos.


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